sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Dica de leitura: O Livro de Areia, de Jorge Luis Borges

“O número de páginas deste livro é infinito. Nenhuma é a primeira, nenhuma, a última.” (BORGES, 1999; 81)

Tendo a literatura como re-escritura, tema que contemplou amplamente em sua obra, o escritor argentino Jorge Luís Borges descreve, no Livro de Areia, uma de suas grandes “obsessões” – um livro que seja infinito. Nesse sentido, se desenrola a história de um personagem que compra um livro de um desconhecido e insistente vendedor de livros, ou Bíblias, que bate à porta de sua casa. Sem princípio nem fim, a narrativa, bem borgeana, é sempre uma nova possibilidade de leitura à medida que vai sendo lida; é como uma viagem rumo ao infinito e para lugares inimagináveis.
Eis a perturbadora impressão que “o livro” causa no personagem que o compra! Afinal, é uma leitura que nos leva, juntamente com esse personagem, ao desconhecido: “Faz alguns meses, ao entardecer, ouvi uma batida na porta. Abri e entrou um desconhecido (...) de traços mal conformados.” (BORGES,1999, p. 79). E ao mesmo tempo é a condição da leitura – espaço inacabado e que só se vai realizando à medida que se lê. Mas no caso do personagem central do livro de Borges, outro ponto instigante é que esse mesmo personagem não sabia ler: “Seu possuidor não sabia ler” (BORGES, 1999, p. 80).
Então, o que ele lia?
Contudo, ele “lê” fazendo-nos lê-lo, ao tentarmos decifrar o que está escrito. Percebe-se que “o livro” se confunde com nós mesmos, leitores-viajantes do infinito, quando batemos na nossa própria porta...
Ainda que breve, este pequeno texto é tão somente o convite para que possamos iniciar o contato com um dos maiores contistas e ficcionistas de todos os tempos, cosmopolita que nasceu Argentina, viveu na Europa e teve a sua obra traduzida para vários idiomas, além de ter sido nomeado, em 1955, diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires. Não por menos, disse certa vez: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria”.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Escritor mineiro Luiz Ruffato vence prêmio 'Casa de las Américas' com o mais recente livro 'Domingo sem Deus'


Luiz Ruffato diz que prepara um novo livro onde abandona a temática do proletariado

Fonte: Por Mauro Morais. Acesso: http://www.tribunademinas.com.br/cultura/me-sinto-livre-para-escrever-outra-coisa-1.1225285

 Iniciada em 2005 com o romance "Mamma, son tanto felice", a pentalogia intitulada "Inferno provisório", de autoria do jornalista e escritor mineiro Luiz Ruffato chega ao fim com uma das maiores láureas da literatura feita nas Américas. O mais recente romance de Ruffato, "Domingo sem Deus", que encerra a série, ganhou, na noite da última quinta, em Havana (Cuba), o prêmio "Casa de las Américas" na categoria melhor livro brasileiro. Fundado em 1959, o prêmio é realizado pela instituição homônima, que busca promover e incentivar as artes do continente.
Produzida após o elogiado "Eles eram muitos cavalos", de 2001, que lhe rendeu os prêmios de melhor romance pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Machado de Assis pela Fundação Biblioteca Nacional, a série resulta da investigação poética do escritor sobre o proletariado brasileiro. Exercitando a linguagem fragmentária que marcou sua produção, Ruffato conclui com "Domingo sem Deus" a temática que lhe conferiu originalidade e ineditismo. "Quando decidi, em 2003, que iria escrever esses cinco volumes, eu sabia quando ia começar e quando iria parar. Não sabia delimitar o tempo, mas tinha a certeza de que terminado esse ciclo eu não queria mais trabalhar com esse tema", aponta o escritor.
Selecionado por um júri composto pelos escritores Marcelino Freire e Carola Saavedra e pela poeta, pesquisadora e produtora Suzana Vargas, "Domingo sem Deus" será traduzido para o espanhol em tiragem inicial de dez mil exemplares, consequência do prêmio que também destina US$ 3 mil ao autor. Presente na ata do júri, a justificativa afirma que a obra vencedora "apresenta diversos episódios independentes que se entrelaçam, formando o mosaico de um Brasil essencial, embora esquecido".
Natural de Cataguases e formado em Comunicação Social pela UFJF, Ruffato notabilizou-se no cenário nacional por defender a ideia do escritor como um "operário das letras", em referência direta ao universo no qual se debruçou. "Eu não escrevo para ganhar prêmios", explica, para logo concluir: "Prêmio é um acidente, é claro que é importante, mas é sempre acidental. Depende da pessoa que está lendo o seu livro naquele momento e de quem está concorrendo com você".
Apesar da identificação, tanto do público quanto da crítica especializada, de Ruffato com a temática do trabalhador, que mergulhou nesse universo até na obra "Estive em Lisboa e lembrei-me de ti" - fruto de um intercâmbio em Portugal, promovido pelo projeto editorial "Amores expressos", cujo objetivo era apresentar a literatura contemporânea nacional através de histórias de amor vividas em outras geografias -, o escritor já vislumbra outros horizontes. "Me sinto livre para escrever outra coisa", conta, atualmente ocupado com o início de uma nova obra ainda sem lançamento previsto, mas com um tema bastante diferente.
Em sua 54ª edição, o prêmio "Casa de las Américas" também contemplou outros brasileiros: Rodrigo de Souza Leão, escritor morto em 2009, recebeu menção honrosa na categoria "literatura brasileira", pela novela "Carbono pautado - memória de um auxiliar de escritório", e o mineiro Evandro Affonso Ferreira ganhou menção na mesma categoria pelo livro "O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam". O compositor e escritor Chico Buarque também se sagrou vencedor, levando o "Prêmio de narrativa José Maria Arguedas" pelo livro "Leite derramado", de 2009.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Dica de Leitura de Janeiro/2013: "As cem melhores crônicas brasileiras"

Não estranhe o leitor da revista a assinatura ao final da postagem. Por questões que fogem ao âmbito desta coluna, seu redator habitual está impedido de redigi-la e, como "o show de todo artista tem que continuar", aqui estou para substituí-lo. Espero poder fazer isso à altura.

Outro alerta: apesar da minha irregularidade na escrita da coluna pela qual sou responsável depôr em contrário, existe um planejamento mínimo para que a Revista Encontro Literário se mantenha no ar. E, de acordo com o script, a indicação de janeiro deveria contemplar alguma obra do escritor Paulo Leminski (1944-1989). 

Mea culpa

No entanto, não me vejo em condições de indicar algo de Leminski aos leitores e explicar o fato exige de mim o reconhecimento de minhas limitações (sim, limitações!). Apesar do alarde em torno do nome de Leminski e do valor dado à sua atuação em prol da poesia brasileira, abrindo caminhos novos à expressão literária em verso e prosa (poética), confesso que não o li como deveria. Talvez um ou outro poema de antologia, mas nada que me habilite para apresentar ao autor ou a uma de suas obras aqui neste espaço. 

Se resta um consolo, eu o encontro na coluna escrita pelo companheiro Raphael Reis sob os fogos que saudaram o novo ano: "Eu, enquanto leitor, quais leituras posso fazer para ampliar o meu horizonte de fabulação, fantasia e conhecimento, entre outras coisas?". Para mim já se coloca o nome de Paulo Leminski como uma resposta possível à pergunta.


Indo ao que interessa 

Uma vez que já expliquei por que sou eu quem assino a coluna desta vez e, mais que isso, por que não faço a indicação conforme o script, resta cumprir com a função principal que é indicar alguma obra que os nossos leitores possam desfrutar. Confesso tratar-se de uma indicação oportunista. 

Neste mês, tivemos duas efemérides literárias que foram o ponto de partida desta indicação: os 90 anos que teria comemorado o cronista Sérgio Porto no dia 11 e, no dia seguinte, a comemoração pelo centenário de nascimento de Rubem Braga, inventor da (moderna) crônica brasileira [1]. A Folha de São Paulo do dia 12/01/2013, sábado, dedicou uma página da Ilustrada a Rubem Braga e, na edição de domingo (13), deu a público na Ilustríssima duas crônicas suas que estão por ser lançadas em volumes comemorativos. A matéria do sábado destacava também o pouco alarde em torno do aniversário de Sérgio Porto (ou Stanislaw Ponte Preta, como ficou mais conhecido).

Indo ao que interessa, devo dizer que a leitura dessa reportagem me deixou animado com a possibilidade de indicar uma obra de um desses autores, aproveitando a oportunidade dessas datas comemorativas. Mas, tratando de evitar esquecimentos como o que foi mencionado pela Folha, terminei optando por uma antologia que tem condições de apresentar não só os dois autores assinalados, mas também outros que se dedicaram ao cultivo deste gênero tão brasileiro. As cem melhores crônicas brasileiras (Ed. Objetiva, 351 págs.), volume organizado por Joaquim Ferreira dos Santos, traz uma seleção de textos de 62 autores, de variadas gerações literárias, começando por Machado de Assis ainda no século XIX e terminando com  Carlos Heitor Cony e Antonio Prata, entre outros, nos anos 2000. Entre uma ponta e outra, textos de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e, claro, Rubem Braga e Stanislaw Ponte Preta, além de textos de autores como Olavo Bilac e Caetano Veloso, que normalmente não associamos à crônica. Antes que eu me esqueça: um dos textos escolhidos pelo organizador do volume é a crônica Complexo de vira-latas, de Nelson Rodrigues, a qual tem rendido muita discussão desde a sua publicação à época da Copa do Mundo de 1958.

O livro está dividido em partes sequenciadas cronologicamente, sendo cada uma delas iniciada com um breve panorama da época que será enfocada e que enfeixa textos dos seguintes períodos: de 1850 a 1920, de 1920 a 1950, anos 1950, anos 1960, anos 1970, anos 1980, anos 1980, anos 1990 e anos 2000. Além disso, o volume conta com uma introdução bastante feliz na explicação não só dos critérios de seleção dos textos [2] como também da dificuldade em delimitar o que vem a ser a crônica. A respeito da delimitação do gênero, assim se pronuncia Machado de Assis no texto que abre a antologia: 

Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma diz que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopada que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica.

Temos aí destacadas pelo menos duas características da crônica: a primeira é seu caráter "informal", que Machado justifica atribuindo-lhe uma origem banal (o bate-papo de duas vizinhas) e a segunda se refere a seu conteúdo e função - a crônica pretende tecer um comentário sobre assuntos que estão com alguma visibilidade e que são "de interesse", tudo isso matizado por uma visão pessoal.

Os textos no volume tanto confirmam quanto negam essa primeira definição e, mais que isso, a ampliam. Eis um dos motivos para se aventurar na leitura de As cem melhores crônicas brasileiras. Além disso, é oportuno destacar que, por circular preferencialmente nos jornais, a crônica se tornou "uma espécie de iniciação do brasileiro ao prazer de ler" [3]. Sendo assim, nada mais natural que iniciar o Ano Novo com a leitura de um gênero textual "iniciático". Boas leituras!

Notas:

[1] Aqui faço referência a uma crônica de Clarice Lispector intitulada Ser cronista na qual a escritora assim se expressa sobre seu ofício e patenteia o lugar de Rubem Braga no conjunto dos cronistas brasileiros: “Sei que não sou [cronista], mas tenho meditado ligeiramente no assunto. Na verdade eu deveria conversar a respeito com Rubem Braga, que foi o inventor da crônica. Mas quero ver se consigo tatear sozinha no assunto e ver se chego a entender.

[2] A introdução explica também a (lamentável) ausência de Manuel Bandeira e Cecília Meireles no volume por motivos extraliterários.

[3] Segundo a antologia, esse papel iniciador da crônica começa a se delinear mais fortemente a partir dos anos de 1950. A frase citada foi tirada do texto que introduz as peças dessa década. Ainda sobre este ponto, a crônica parece ser verdadeiramente um achado da nossa cultura. O escritor argentino Rodolfo Alonso, por exemplo, diz que a cessão de colunas jornalísticas a grandes escritores [de literatura] pode soar como um fato inimaginável em seu país e destaca ainda que, apesar de preservar a liberdade dos autores, ao colocá-los em um espaço de ampla circulação, a crônica relativiza os limites dessa liberdade e confronta "a exigência e a originalidade dos criadores com a exigência e a qualidade dos leitores". Seu texto original, em espanhol, pode ser lido aqui: http://www.cronicasdelaemigracion.com/opinion/rodolfo-alonso/revelacion-de-clarice-lispector/20130114112859047621.html 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Revista Encontro Literário completa 2 anos

Hoje, 06 de janeiro de 2013, a Revista Encontro Literário completa 2 anos de divulgação de informações literárias, sociológicas, históricas, etc. !
Nestes dois anos consolidamos os objetivos propostos: lançamos dois editais de seleção (poesia e contos), recebendo centenas de produções de diversos lugares do Brasil e de outros países. O número de acesso aumentou e, hoje, contamos com uma média mensal de 1.500 acessos. Dessa forma, já podemos dizer que a Revista Encontro Literário é um espaço para autores que desejam ver os seus trabalhos publicados; um meio que ajuda a divulgar a literatura e a cultura brasileira; e contribui com a produção e circulação do conhecimento.
Outra ação foi contribuir com reflexões próprias, de cada Editor. Assim concretizamos 3 colunas mensais, a saber: Dica de Leitura (Paulo Tostes), Literatura e outras Manisfestações (Ailton Augusto) e História e Sociologia da Leitura (Raphael Reis).
Por fim, desejamos a todos os leitores um excelente 2013 e esperamos por vocês nas próximas seleções e participação em nossas postagens.
 


Editores:

Aílton Augusto
Graduando em Letras pela UFJF

Paulo Tostes
Doutor em Literatura pela UFF
Mestre em Literatura pela UFJF
Graduado em Letras pela UFJF

Raphael Reis
Mestrando em Educação pela UFJF
Especialista em Políticas Públicas
Graduado em História pela UFJF

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Que tal alguns desafios para 2013?


Por Raphael Reis (Mestrando em Educação pela UFJF)


É comum mencionarmos que o Brasil não é um país de leitores. Isso é uma afirmativa verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Falsa, porque a leitura, juntamente com as novas tecnologias (celular, facebook e computador, principalmente) vem aumentando tanto a leitura como a escrita. Porém, por outro lado, sabemos que não é este tipo de leitura que desejamos. Desejamos que as pessoas possam ampliar seus horizontes de leitura, ampliação esta que perpassa pela leitura de livros e de seus vários gêneros, de jornais e revistas (impressos ou digitais).
No Brasil, devido a dificuldades históricas como, por exemplo, a instalação de um mercado editorial e, principalmente, de uma rede de educação pública tardia, foram grandes obstáculos para uma cultura que desenvolvesse tanto a leitura como a escrita, o que fez com que, em pleno o século XXI, termos ainda um índice de 9 milhões de analfabetos absolutos! Assim o brasileiro desenvolveu uma cultura pelo audiovisual (não é a toa encontramos sucessos musicais que balbuciam algumas palavras e de novelas que dizem nada com nada com coisa alguma). Aliás, 85% da população brasileira preferem a TV como entretenimento principal (ver a Pesquisa Retratos da Leitura, 3ª edição).
Visto as reflexões acima, de maneira sucinta, mas que já foram explanadas em outras postagens em nossa coluna mensal na Revista Encontro Literário, aproveito o ensejo de um novo ciclo que começa a amanhã, no intuito também de que este seja um espaço de pensarmos em novos desafios para leitura, seja ela do ponto de vista das políticas públicas, comunitário ou pessoal. Assim, podemos pensar: o que eu posso fazer para ajudar a estimular a leitura em meu bairro, comunidade ou cidade? Eu, enquanto leitor, quais leituras posso fazer para ampliar o meu horizonte de fabulação, fantasia e conhecimento, entre outras coisas?
Por fim, reforço aqui as dicas de leitura que a Revista Encontro Literário indicou ao longo do ano de 2012 e que, sem dúvida, podem ser um bom ponto de partida e caminhada!
Feliz 2013 para todos os leitores e não leitores da Revista! Que seja um ano de muitas coisas boas!

A Dama do Cachorrinho, de Tchekhov
O Ruba’iyat, de Omar Khayyam
A Metamorfose, de Kafka
Bartleby: o escrivão, de Herman Melville
Vaga Música, de Cecília Meireles
O Cão dos Baskervilles, de Sir. Conan Doyle
Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector
Insônia, de Graciliano Ramos
O Estrangeiro, de Albert Camus
Canto Geral, de Pablo Neruda.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dica de leitura: Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda

Com uma beleza intensa e crua, os Cem sonetos de amor refletem a parte mais apaixonada da obra poética de Pablo Neruda. Escrevendo-os para Matilde, sua grande paixão, o poeta chileno ofereceu à sua musa uma linguagem tão sensorial que se pode saborear cada poema, provando-o nos lábios. Elaborados para serem lidos em voz alta, uma vez que são ricos de significados e tornam a leitura encantadora, os sonetos não apenas são um “gozo da linguagem”, numa alusão ao prazer do texto a que se refere Roland Barthes, mas também remetem às muitas imagens que Neruda utilizou para retratar o seu amor pela amada. E com tal poesia a musa do poeta é retratada, que nos permite também compará-la a um rio caudaloso que inesgotavelmente alimenta a sensibilidade e o oceano criativo do poeta como se lê no soneto XVII, só para citar alguns dos incontáveis versos: "Te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma." É em meio a essa "escuridão" que o amor se estende para além dos que se possa esperar dele.
Sendo, portanto, um tema literário e universal, por excelência, não importa em qual idioma o amor é descrito, se existe ou não, mas quando ele pode ser cantado com tanto enlevo e vigor, nada melhor do que ao menos mergulhar na profundidade dos 100 sonetos de Neruda, que oportunamente os dividiu em 3 períodos do dia (manhã, tarde e noite). É assim que o grande poeta andino tenta transmitir toda a essência do amor em suas múltiplas faces, ora aludindo à natureza, ora ao cotidiano intenso da mulher... 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade

Exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade

 
Inaugurada, no Rio de Janeiro, a mostra que exibe parte do acervo do Museu d’Orsay, de Paris
 
Foi inaugurada ontem (22), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, a exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade, com obras-primas do Museu d’Orsay, de Paris, que pela primeira vez exibe parte de seu acervo na América do Sul. A mostra reúne 85 obras dos mestres impressionistas, estilo de pintura que abrange o período de meados do século XIX ao início do século XX.
Realizada com apoio do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Lei Rouanet, a exposição atraiu 320 mil pessoas em São Paulo, com longas filas e espera de quatro a cinco horas. No Rio, onde o espaço do CCBB é mais amplo do que na capital paulista, a expectativa é de um público bem maior, principalmente no final do ano, quando a cidade recebe milhares de turistas para o Réveillon. A mostra ficará aberta de hoje (23/10) até 13 de janeiro de 2013 e a entrada é franca.
Participaram da cerimônia de abertura o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Henilton Menezes; o presidente do Museu d ‘Orsay, Guy Cogeval; o diretor-geral do Instituto de Cultura da Fundação Mapfre, Pablo Jiménez Burillo; o vice-presidente de governo do Banco do Brasil, César Borges; e o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Também estiveram presentes a secretária de Cultura do Estado, Adriana Rattes; o vice-prefeito do Rio, Carlos Alberto Muniz; o cônsul da França no Rio, Jean-Claude Moyret; a coordenadora da exposição, Maria Ignez Mantovani; o chefe da Representação Regional do MinC, Marcelo Velloso; e as atrizes Fernanda Montenegro e Beth Goulart (apresentadora da cerimônia).

A exposição
A mostra reúne 85 obras dos mestres Claude Monet, Édouard Manet, Auguste Renoir, Paul Gauguin, Edgard Degas, Toulouse-Lautrec, Camille Pissaro, Vincent Van Gogh e Paul Cézanne, entre outros. A coordenadora da exposição, Maria Ignez Mantovani, estava feliz com o resultado do trabalho: “É uma coisa linda que o país tenha condições de receber um projeto desta excelência, com esta qualidade e amplo acesso popular”. Além do apoio do MinC, o evento conta com o patrocínio do Banco do Brasil e da seguradora Mapfre.



O impressionismo, que rompeu com o padrão realista na pintura, surgiu em meados do século XIX. Nesta época, a nova Paris, reformada segundo plano do Barão Von Haussmann, com amplos boulevares e espaços públicos, era o centro da vida cultural europeia. O novo espaço urbano atraiu a atenção dos pintores que nele encontraram diversos temas de inspiração, dando ênfase à luz e ao movimento.
A exposição se divide em vários módulos, que refletem este clima: Paris, cidade moderna; A vida parisiense e seus atores; Paris é uma festa; Fugir da cidade (que destaca a vida no campo nos arredores); A vida silenciosa (com telas intimistas, algumas com inspiração japonesa, egípcia ou medieval); e Convite à viagem ( com obras de Gauguin e seus discípulos, inspiradas na Bretanha) e, finalmente, Convite à viagem – O ateliê do Sul (que retrata a região do Sul da França).
O quadro central da exposição é ‘Tocador de Pífano’, de Édouard Manet. Além dele o espectador também poderá apreciar obras-primas como o ‘Lago das Ninfeias–Harmonia Verde’, de Monet; ‘O Banho’, de Alfred Stevens; ‘Jeunes filles au piano’, de Renoir; ‘Dançarinas subindo uma escada’, de Edgard Degas; ‘Colheita Dourada ou As medas amarelas’, de Gauguin; ‘Rochedo perto das grutas acima de Château Noir’, de Cézanne; e ‘La salle de danse à Arles’, de Van Gogh. A lista é longa e o visitante precisa de tempo para apreciar com calma as obras.
O museu d’Orsay é um dos mais importantes da França e seu acervo chega a 154 mil obras. Já o Brasil foi colocado pela publicação americana The Art Newspaper no ranking de países com as exposições mais visitadas do mundo em 2011. O país emplacou três na lista das dez mostras mais procuradas naquele ano. A primeira do ranking foi O Mundo Mágico de Escher, que atraiu mais de 570 mil pessoas ao CCBB do Rio de Janeiro. A expectativa é de que os impressionistas franceses ultrapassem esta marca nesta temporada.
(Texto: Heloisa Oliveira, Representação Regional RJ/ES/MinC)
(Fotos: Raphael Reis)