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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Poesia selecionada no Edital 04/2012 - "Amor em matemática"

Amor em matemática

por Amélia Luz *



Minha vida é uma equação
Sem fórmula, sem solução.
Relaciono medidas
Calculo áreas,Sou mesmo um polígono torto...
Componho um triângulo amoroso, doloroso,
Somo problemas inconsequentes,
Subtraio prazeres incertos
Multiplico questionamentos
Dividindo meus sentimentos...
Sou um teorema estranho,
Inexato, sem explicação,
Coração bigeminado
Caminho desgastado
No perímetro da vida.
Sou Regra de Três
Ou jogo de xadrez
Num xeque-mate
Que não me permite divisibilidade!
Emoções surradas, na teima
Na lida, na espera!
E a segunda milha?
Com quem trilhar? Haverá?
Estrangulada a aorta martela,
Matematicamente batendo a vida,
Num compasso de alternâncias...
Sangue vivo no vai e vem
Martirizando a minha mente,
Injustamente!
Asfixia! Na representação gráfica, a asfixia...
O sangue é tóxico, a vida é vã,
Sem poesias, alegrias ou metáforas...
Temperamental, maníaca,
Nada sabia, entretanto,
Que na matemática da vida
Não há cálculo, nem médias,
Nem sequer regras rígidas.
Não há ciências exatas nas operações...
Escondido, na palma da mão
Eu tenho em segredo
O quociente da situação.
Transformo investimentos afetivos
Com altas taxas de juros
Em saldo real, positivo,
Significando o meu lenitivo
De continuar solta, em abstração,
Na matemática fria da minha emoção.


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* Amélia Luz nasceu em Pirapetinga/MG, onde mora. Escreve crônicas, contos e poesias com premiações em vários estados do Brasil e também em Portugal, Espanha, França e Itália. É membro de diversas associações literárias contribuindo com o seu trabalho em favor da divulgação da Língua Portuguesa. Formada em pedagogia – Administração Escolar e Magistério – Orientação Educacional – Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa – Pós-graduada em Planejamento Educacional e Psicopedagogia na Escola, faz da palavra a sua companheira na oficina de versos onde trabalha todo dia. Contato: amelialuzz30@gmail.com

Poesia selecionada no Edital 04/12 - "Animais de rua"

Animais de rua

por Adriano Vinício da Silva do Carmo* 


Animais de rua,
Que triste caso
Não é fácil
Viver ao relento,
Ao asco

Animais de rua,
Filhote perdido
Não tem ninguém
Vive indo
Escondido

Animais de rua,
Sem carinho...
Não é simples
Sentir-se
Sozinho

Animais de rua,
Sempre aqui
E não na lua!

Animais de lua,
Que triste espaço
Só vejo o cosmo
Soprar o vento
Tácito

Animais de lua,
Filho ferido
Da Gaia Mãe
Vives ressentido
Em ser...

Animais de lua

Animais de lua
Na Terra!

Excluídos
De si mesmos,
De sua gente!

Viver afastado
Ser animal e
Ser gente

Ser de rua e
Ser da lua

Ser bicho e
Ser gente.

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* Adriano Vinício possui título de bacharel em Comunicação Social e atualmente é mestrando em Comunicação pela UFJF, desenvolvendo pesquisas nas interfaces Comunicação, Educação e Tecnologia. Criado em Iapu (leste de Minas Gerais), vive em Juiz de Fora desde 2006. Possui interesses artísticos ligados à literatura, poesia e ficção científica (em especial a futurista). Contato: adrianovinicio@gmail.com

Poesia selecionada no Edital 04/2012 - "Pelas derradeiras horas de Nava"


Pelas derradeiras horas de Nava

por Matheus Vital de Oliveira Mendes *
                         
                                 ´´A vida é um romance sem enredo.``
                                                               Pedro Nava

Sentado à calçada, Nava se envulta
Por nove travestis e seis prostitutas.
Sentado na calçada, Nava se sepulta
Com um calibre 32, apoiado na nuca,
Dirigindo-se ao seu venerável undiscovered country.

Sentado à calçada, Nava matutava
Talvez exasperado, ou passivo.
Sentado na calçada Nava recusava,
Qualquer convite venial de cópula.

- Mas poderia ser amor, senhor,
Emprestado por dinheiro?
- Mas é cópula, pois sou indelevelmente médico,
Recostado sobre alcunha de escritor.

Pedro Nava, sentado na calçada,
Na rua da Glória, perto de casa,
Despedia toda dor. E escrevia
Primeiras palavras de um novo enredo,
A ser escrito pelos manejantes
                 [De sua memória,
Que o enredo da vida não é nadinha nosso.

                                     28/08/2012

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* Matheus Vital de Oliveira Mendes nasceu em 1993 e estudou a maior parte da vida na Escola Municipal Cosette de Alencar, passando posteriormente ao Colégio Stella Matutina, ambos em Juiz de Fora. Hoje frequenta o Bacharelado em Interdisciplinar em Humanidades da UFJF. Em 2011 foi selecionado como um dos cinquenta autores a serem publicados pela edição do segundo concurso de poesia Amigos do Livro/ Flipoços, prêmio literário paralelo ao Festival Nacional do Livro de Poços de Caldas/MG. Contato: matheusvitalomendes@gmail.com

Poesia selecionada no Edital 04/2012 - "Soneto torto"

Soneto torto

por Everardo Paiva de Andrade *


dê-me uma tese em 2 v. de mil p.
e o vento forte do Isaac à beira-mar
dê-me uma dúzia de copos vazios
e essa sede de alastrar incêndios

dê-me a divina benção sobre o lucro
e a roleta de um banco oficial
dê-me o canto d’Os cantos de Pound
e toda ira do poeta contra a usura

dê-me a aspereza das tardes cruas
a nota de uma trova em mil palavras
dê-me a própria dor por companheira

e a esperança bem no vidro da janela
dê-me o tempo perdido, a lembrança
e o retorno é o que vai neste soneto


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* Everardo de Paiva Andrade assim se descreve: "Nasci em Itaperuna, cidade do extremo noroeste fluminense. Fui uma criança sorridente e de certo modo ainda me considero uma pessoa feliz. Acostumei-me a ser sempre o mais novo da turma e agora, cada vez mais, me sinto o mais jovem dos velhos. Fui estudante de História, o que me deu uma profissão e uma angústia, porque não pude fazer o mundo que imaginava impossível. Integro (se é que ainda me querem por lá) as academias itaperunense e campista de letras, essas belas experiências de vanguarda na retaguarda local. Publiquei dois livros de poesia, um no início da década de 90, outro na de 2000, e de novo já se passaram dez anos... Retornei a Niterói e vivo hoje onde e como escolhi, embora aquela voz persistente insista aos meus ouvidos que não cumpri integralmente uma promessa. Sou professor na Faculdade de Educação de uma universidade pública, lidando com jovens estudantes de História, e gosto do que faço. Não pretendo regressar a Itaperuna quando concluir minha desaprendizagem. Está bom assim!" Contato: everardo_andrade@uol.com.br

Poesia selecionada no Edital 04/2012 - "Vidas transitórias"


Vidas transitórias


por Klaas Kleber *

Chegará o dia em que meus olhos
ofuscados pelo nevoeiro da morte
já não perceberão pela vista
o lacrimar dos ausentes
aguardando o exalar
do meu último suspiro

Chegará o dia em que meu rosto
regelado pelo sopro da morte
já não perceberá pela tez
as mãos cálidas dos ausentes
aguardando a despedida
da minha última existência

Chegará o dia em que minha memória
viverá nas lembranças fugazes
na efemeridade dos sonhos
dos ausentes mortais
aguardando o seu tempo
que também há de cessar

E quando esse momento chegar
eu terei desvanescido
para a eternidade

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* Klaas Kleber, nome artístico de Kleber José dos Santos, é natural de São João del Rei, Minas Gerais/Brasil. É ator, diretor, professor e arte-educador e tem os títulos de Licenciado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP/MG; e Mestre em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa – ESTC (Artes Performativas – Teatro do Movimento). 
Sempre vinculado a projetos de grande importância artística e destaque social vem realizando, no decorrer de sua carreira, um efetivo trabalho como encenador, formador e preparador de atores. 
Entre outros projetos executados por Klaas Kleber destacam-se os cursos de Capacitação – Teatro Educação (direcionado aos professores do ensino regular); Festivais Estudantis de Teatro; Mostras de Cênas Curtas; e projetos de caráter artístico-social – Teatro na Comunidade. Autor do livro: Corporeidade e fisicidade: o treinamento do clown enquanto instrumental técnico e artístico na formação do ator. Editora Chiado, Lisboa, Portugal, 2010. Contato: kkarlequim@bol.com.br


sábado, 3 de dezembro de 2011

Poesia: Os galos da minha rua, de Reginaldo Costa Alburqueque

Os galos da minha rua

                   I
Os galos que rondam
a minha rua
à luz trêmula do luar

não ciscam gravetos do chão
nem dizem cocoricó

um bando chega
outro foge

às vezes duelam
na curva das esquinas

quem é o dono do terreiro
qual grita mais alto
o maior

                 II
Quando erguem o aço frio
da ponta de seus bicos
noite adentro
tudo cessa de repente

miados no telhado
a estrela cadente
ave-marias à beira da cama

E a monotonia estúpida
da cantiga entoada
atravessa janelas
ameaça por baixo das portas

                III
As mãos que os fazem
expelir fogo
assustando os cupidos

há pouco
brincavam de pega-pega
pipas nos fios elétricos
rodar pião

há muito
carregam a morte e a vida agarradas
à brutal cicatriz branca

do pó

Reginaldo Costa Alburqueque: 47 anos e campo-grandense-MS de coração. Autor do livro Sonetos no azul da tarde.
Contato: reginaldoalbuquerque@uol.com.br

Poesia: Rei de Nada, de Ludmila Abreu

Rei de Nada

De tudo
foste capaz
conquanto fosse absurdo
Sempre pudeste mais
E de todo o teu mundo,
foste rei ineficaz
Prometendo a teu súdito
fantasiosa paz

Fui eu, súdita tua
Fui inteira, um tanto louca
e mesmo nua
quando envolta
por teus braços
vestia-me de tuas loucuras
de teus espasmos
Coisas cruas...
Típicas do teu reinado

Revoltas tramei nove
Norte a Sul
Mas ainda me envolves
Embora, mal saibas, tu
de futuro golpe...

Eis que derrubará teu império
Sério...
Hoje ainda reinas
coração meu
Amanhã, tu beiras
ser apenas museu

Ludmila Abreu: É modelo e estudante de direito, apaixonada por poesias e samba. Escreve e compõe desde os 12 anos.
Contato: ludmilla_abreu@hotmail.com

Poesia: Novas Dimensões, de Luiz Gondim

NOVAS DIMENSÕES
                                                    
Dispenso flores,
missa também;
vou de mãos vazias,
assim como cheguei:
sem rumores, sem ninguém.
Lamentos? De jeito algum,
Dores? Todas suportadas;
apenas fui mais um
entre imprevisíveis jornadas.
Compensações? Há algumas:
fora do espaço,
do tempo liberto,
caminho entre plumas
em iluminado deserto.
O resto, não cabe escolha;
dobra-se a folha,
são novas dimensões.
É itinerário da humanidade:
na aritmética da eternidade,
na geometria das gerações.
Luiz Gondim: É presidente da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes e vice-presidente da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Drummond, o poeta gauche


"Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida". Assim, Carlos Drummond de Andrade se anuncia no “Poema de sete faces”, de seu livro de estréia – “Alguma Poesia” (1930), fazendo jus à palavra gauche, de origem francesa, que corresponde a esquerdo, em português. Nessa perspectiva, nota-se, desde seu primeiro livro, o comprometimento do poeta em assumir-se estética e existencialmente. Mais do que um mero versejar sobre dor-de-cotovelo ou falta de dinheiro, o poeta verdadeiramente é “a antena de uma raça”, como diz o grande crítico Erza Pound em seu “ABC da Literatura” e, por isso mesmo, o seu fazer requer um árduo trabalho de leitura e técnica, de contemplação e mesmo de atitude diante da existência. É esse percurso que se fez na obra do poeta itabirano.
De sua primeira fase (gauche), caracterizada pelo pessimismo, isolamento e reflexão existencial, bem como o desencanto em relação ao mundo, surgem as obras “Alguma Poesia” (1930) e “Brejo das Almas” (1934), onde se sobressai o tom irônico e coloquial.
Da segunda fase (social), vem o anseio do poeta de participar e tentar transformar o mundo, deixando de lado o pessimismo e o isolamento da fase anterior – o poeta é solidário com o mundo e assim publica “Sentimento do mundo” (1940)
“José” (1942) e “Rosa do Povo” (1945).
A terceira fase pode ser dividida em dois momentos: a poesia filosófica e a poesia nominal. A primeira é imersa em textos que refletem temas de grande preocupação universal como a vida e a morte, destacando-se “Fazendeiro do ar” (1955) e “Vida passada a limpo” (1959). A poesia nominal é caracterizada por neologismos e aliterações, como “Lição de coisas” (1962).
Por fim, a fase das memórias (década de 70 e 80 do século passado), marcada pelas grandes recordações de Drumond e pelos temas sobre a infância e a família, que são retomados e aprofundados nas obras “Boitempo”, “Boitempo III”, “As impurezas do branco” e “Amor Amores”.
Drummond também escreveu contos e crônicas: Conto: “Contos de Aprendiz”; Crônica: “Passeios na Ilha”, “Cadeira de balanço”, “Os dias lindos”, além do conjunto de poemas eróticos que ele mantinha em segredo, intitulado “O amor natural” (1992).
Enfim, como já prenunciava a epígrafe de Augusto de Campos, a pedra de Drummond ganhou o mundo. Agora é “drummundana”, afinal, no meio do caminho tem um poeta – Carlos Drummond de Andrade. Todavia, cabe aos poetas de hoje não se deixarem petrificar pelo passado nem vangloriar-se no futuro, simplesmente, às de algumas pedras que transportam no meio de seus caminhos...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D: 109 anos do nascimento de Carlos Drummond de Andrade

Quase no apagar das luzes deste que foi denominado dia D, aqui no Brasil, me sento à frente do computador para dedicar algumas palavras ao poeta Carlos Drummond de Andrade. Nascido na cidade mineira de Itabira em 31/10/1902, Drummond foi por muitos considerado o maior poeta brasileiro do século XX, a despeito da produção de contemporâneos seus como Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Cecília Meireles.

O poeta começou sua trajetória literária em 1930 com a publicação de Alguma poesia, obra com tintas modernistas que reuniu parte das contribuições do autor para revistas ligadas àquele movimento. A este livro se seguiriam mais de vinte outros livros, destacando-se desse conjunto títulos como Sentimento do Mundo e A Rosa do Povo - ambos representativos de uma poesia mais engajada, dos tempos de guerra - e, ainda, Claro Enigma e a série de livros Boitempo, na qual a temática da memória se faz mais intensa.

Dono de uma dicção poética marcante e de poemas antológicos como José  (E agora José?), No meio do caminho (No meio do caminho tinha uma pedra...), Quadrilha (João que amava Maria, que amava...) e Poema de sete faces (Quando nasci, um anjo torto...), Drummond fez por merecer as honrarias com que algumas cidades o homenagearam no dia de hoje. 

Com certeza para o próximo ano, quando a efeméride será mais "comemorável" - afinal 110 anos são mais simbólicos que 109 -, o autor receberá ainda maiores festejos, a começar com a já anunciada indicação de seu nome como homenageado na Flip de 2012. Oxalá possamos estar aqui para ver outro dia D.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Eco Performances Poéticas

 
 
Já vamos para mais da metade de 2011 e o Eco Performances Poéticas prepara mais uma edição, cumprindo com o compromisso de tirar a poesia do gabinete e arrastá-la para o palco do Mezcla toda primeira quinta-feira do mês. 

A edição de julho traz dois estreantes no elenco do Eco: Maria Diva Boechat, que participa pela primeira vez do evento, acompanhada das poesias de seu recém-lançado livro Cerâmicas e Tarcízio Dalpra Jr., mais conhecido por seu trabalho com teatro, mas que pretende mostrar que dramaturgos também fazem bons versos. Já o terceiro elemento dessa edição volta ao elenco principal depois de mais de um ano: o editor do Jornal Plástico Bolha Lucas Viriato, também conhecido como "o carioca mais mineiro que já pisou no Eco".

Além dos poetas convidados, o Eco conta também com o clássico Microfone Aberto. Traga seu texto, faça inscrição no intervalo e fique à vontade para ter seus três minutos de fama. 

Tudo isso no dia 07 de julho, quinta-feira, no Espaço Mezcla (Rua Benjamin Constant, 720, Centro. JF), sempre ao som da afinada e afiada discotecagem de Pedro Paiva.Não se esqueça que começamos pontualmente às 20 horas. E a entrada é grátis. Espalhe e compareça!


 





Eco no Orkut: http://bit.ly/9yALWk

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Palestra com a Professora Drª. Fernanda Bernado: Cinema e Poesia

O Prof. Luiz Fernando Medeiros de Carvalho irá receber, em sua aula neste sábado, dia 18/06, no Mestrado em Letras do CES/JF, a Professora Doutora Fernanda Bernardo, de Portugal, que dará a palestra "Cinema e Poesia", neste sábado, 10h às 12h, na sala 401, do Campus Verbum Divinum.
 
Fernanda Bernardo é professora associada do Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras, da Universidade de Coimbra, e é conhecida por ser uma das mais importantes tradutoras da obra do filósofo francês Jacques Derrida para a língua portuguesa. É coordenadora científica do "Projecto de investigação trans-disciplinar (FCT): «Jacques Derrida – Língua e Soberania»".
Está no Brasil para participar do "I Colóquio Internacional Desconstrução, Linguagem e Alteridade: heranças de Jacques Derrida", na UFRJ.
 
Entre suas publicações, estão o livro Derrida à Coimbra – Derrida em Coimbra (Viseu, 2005) e as traduções de J. Derrida, Aprender finalmente a viver (Coimbra, 2005) e Carneiros. O diálogo ininterrupto: entre dois infinitos, o poema, (Viseu, 2006).
 
A palestra da Professora Fernanda é direcionada aos mestrandos em Letras do CES/JF e demais interessados.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

II Encontro Nacional do Grupo de Trabalho Teoria do Texto Poético/ANPOLL

II Encontro Nacional do
Grupo de Trabalho Teoria do Texto Poético/ANPOLL

Cartografias da poesia moderna e contemporânea

Data
13 e 14 de outubro de 2011
Local
Cidade de Goiás,
nas dependências da Unidade Cora Coralina da UEG
e do Museu Casa de Cora Coralina
Inscrições 
15 de julho a 31 de agosto de 2011
Página do GT Teoria do Texto Poético
Como ouvinte ou com apresentação de trabalho,
a participação é aberta a pesquisadores
em nível de graduação, mestrado e doutorado
Realização 
FL/UFG em parceria com UNESP/Araraquara,
UnB, UEG, PUC/GO e
Museu Casa de Cora Coralina

domingo, 8 de maio de 2011

Poesia: Rastro, de Edimilson de Almeida Pereira

RASTRO

              á   r  v  o  r   e    d   o                   á   r  v  o  r   e     d   o
              e s q u e c i m e n t o                    a l u m b r a m e n t o

              para  não sofrer com                   : palavra  dos  mortos
              a  praga  dos  mudos                    que atrai a felicidade
              exigir  que  os  vivos                    cabeça   à  espera  da
              circulem  o  eixo  do                    nudez  para florescer
              mundo  – sua agonia                    .................................        
              ilustra  a desonra  do                    .................................        
              corvo .......................                   .................................        
              ......................o lucro                   .................................        
              do escárnio..............                    .................................        
              á   r  v  o  r   e    d   o                   (                              )        
              exílio  cevada   onde                    .................................        
              não  estivemos,  raro                    .................................        
              piano em esqueletos                    .................................        
              disposto – árvore do                                .................................        
              incêndio  saliva gare                    .................................        
              des mots dos mortos                    .................................

                        ... le  jour  ne sait pas ton nom, ni  ne  le  pourrait. tant
                        cris  de  pluie dorment encore dans  les arbres: embora
                        o machado  esteja  vermelho, o ouriço come  folhas de
                        embaúba,  o  ouriço  come  folhas de bambu,  o  ouriço
                        vai  suavemente  sobre  a relva ao encontro da sombra,
                        sua irmã de pêlo escuro: o ouriço não  anda  quando o
                        sol está de pé ................................le jour est  aussi une
                        nuit lumineuse e ‘ÕNYÃM    OOURIÇO TUTHI  XUX MÃHÃ
                              
                               filho da mesma flora, o leopardo salta na  linguagem e
                        arranha: EKUN  TOFOJU  TANAN  leopardo olhos de fogo
                                                                                                                                              
                        ao lançar-se no espaço defende  outro  arco-íris, o dia
                        e a noite fazem  sua  camisa –  aquela que o  leopardo
                        sua ao dar-se curvo no salto. seu arco, seta do próprio
                        sangue, dispara: o leopardo sob a íris renasce, filho da
                        mesma aragem, rapto de si, senhor que não se declara   
                        ___________________________________________
                       
                        bien sûr, dirão os temerosos da palavra, já não se mira
                        no fruto o que foi a  árvore,  tomai bebei  a  gramática,
                        levai,  aos  domingos,  vossa língua ao  ácido silêncio:
                        EL SIGNIFICADO  NO  TIENE SEMILLAS,  pois  cortou-se  o
                        mal pela raiz: não    floresta,  signos  bichos não há
                        ___________________________________________                   
              á   r  v  o  r   e     d   o                  á   r  v  o  r   e     d   o
              a l u m b r a m e n t o                   e s q u e c i m e n t  o
                  
              para não sofrer com a                 palavra morta oouriço
              e o leopardo crescem na  jaula da história,  sua cabeça
              repousa no hímen da noite        a noite grávida de sóis
                         
                                      EL SIGNIFICADO  ES SEMILLA
                                                  :       OPEN THE WINDOW         :
  
                                                  OOURIÇO TUTHI  XUX MÃHÃ
                                               EKUN  TOFOJU  TANAN       OS
                                                               DOIS    ENTRE   AS   ÁRVORES

                               são o que  não  parecem:  quando   transitam com suas
                        memórias   de   londres,    quem  lhes  diga:    je ne
                        vous connais pas. se rolam  em sua veste  tecida  pelos
                        ancestrais,  não há quem  lhes diga:  – my  brother.  no

                        ESPAÇO ENTRE UM PASSO  E OUTRO       UM SALTO E OUTRO

                        oleopardooouriço  ofende  a calmaria  dos  verbos, sua
                        fala saliva para nutrir  a  árvore  das  árvores    a  que
                        tem raízes para o céu  e flores  para a  terra.  se  roesse
                        a língua,  ao  invés  de  engordá-la,   oleopardooouriço
                        não teria  como  divorciar-se dela.  por isso  a  ternura
                        das garras/o veludo da pele, presente que  mutila  para
                        engravidar o futuro. oleopardooouriço                recusa                   a cidade  e  a  floresta                  reage anti-linguagem  
              á   r  v  o  r   e     d   o                  á   r  v  o  r   e     d   o
              e s q u e c i m e n t  o                   a l u m b r a m e n t o
Edimilson de Almeida Pereira: Possui Graduação em Letras Vernáculas pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1985), Mestrado em Literatura Portuguesa (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990), Mestrado em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1996), Doutorado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000) e Pós-doutorado em Literatura Comparada (2002) pela Universidade de Zurique. Atualmente é professor titular da Faculdade de Letras, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Cultura e Identidade, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira poesia, cultura afro-brasileira imagens/ identidades, cultura popular tradição modernidade, literatura juvenil e infanto-juvenil