sexta-feira, 17 de junho de 2011

V Colóquio Nacional de Leitura e Cognição

O Programa de Pós-Graduação em Letras, juntamente com os Departamentos de Letras e Comunicação Social da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC realizarão, de 17 e 26 de agosto de 2011, em Santa Cruz do Sul - RS, o "V Colóquio Nacional Leitura e Cognição - Olhares do contemporâneo sobre os textos: hermenêutica, cognição/conhecimento, comunicação e XII Semana Acadêmica de Letras". O evento tem por objetivo aprofundar estudos sobre a leitura a partir de uma perspectiva inter/transdisciplinar, que contemple as áreas da cognição/conhecimento, hermenêutica e das teorias sobre a comunicação humana.

Cronograma para submissão de trabalhos:

Inscrição e submissão: até 15 de julho de 2011

Comunicações: estão agendadas para quarta-feira, dia 17 de agosto de 2011, no turno da tarde. A comunicação terá duração de 15 minutos por trabalho inscrito e 5 minutos para debate. Será disponibilizado datashow.

Publicação do Trabalho Completo: os trabalhos selecionados poderão ser encaminhados para o email mestradoletras@unisc.br, até dia 30 de setembro de 2011. Os trabalhos encaminhados serão selecionados para compor a Edição Especial V Colóquio Nacional Leitura e Cognição da revista Signo (Qualis B2 - http://online.unisc.br/seer/index.php/signo).

Os trabalhos devem estar vinculados às seguintes temáticas:

· Leitura e interdisciplinaridade

· Leitura e processos cognitivos

· Texto e hermenêutica

· Compreensão leitora

· Narrativas literárias e comunicacionais

Presenças confirmadas:

Prof.ª Dr. Maria Lucia Santaella Braga (PUC/SP), Prof.ª Dr. Vera Lúcia de Oliveira (Università degli Studi di Perugia), Prof. Dr. Luis Motta (UnB), Prof. Dr. Gustavo Bernardo Galvão Krause (UERJ)

Inscrições com submissão de trabalhos (resumo) R$ 50,00
prazo:
até 15 de julho de 2011.

Inscrições sem submissão de trabalhos (resumo) R$ 30,00
prazo:

a
15 de agosto 2011.

Mais informações: site do evento: http://www.unisc.br/eventos/2011/coloquio/index.html

Palestra com a Professora Drª. Fernanda Bernado: Cinema e Poesia

O Prof. Luiz Fernando Medeiros de Carvalho irá receber, em sua aula neste sábado, dia 18/06, no Mestrado em Letras do CES/JF, a Professora Doutora Fernanda Bernardo, de Portugal, que dará a palestra "Cinema e Poesia", neste sábado, 10h às 12h, na sala 401, do Campus Verbum Divinum.
 
Fernanda Bernardo é professora associada do Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras, da Universidade de Coimbra, e é conhecida por ser uma das mais importantes tradutoras da obra do filósofo francês Jacques Derrida para a língua portuguesa. É coordenadora científica do "Projecto de investigação trans-disciplinar (FCT): «Jacques Derrida – Língua e Soberania»".
Está no Brasil para participar do "I Colóquio Internacional Desconstrução, Linguagem e Alteridade: heranças de Jacques Derrida", na UFRJ.
 
Entre suas publicações, estão o livro Derrida à Coimbra – Derrida em Coimbra (Viseu, 2005) e as traduções de J. Derrida, Aprender finalmente a viver (Coimbra, 2005) e Carneiros. O diálogo ininterrupto: entre dois infinitos, o poema, (Viseu, 2006).
 
A palestra da Professora Fernanda é direcionada aos mestrandos em Letras do CES/JF e demais interessados.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A MÉTRICA DO CORDEL (PARTE 2)

Continuação,

Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 - 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 - 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, do inventivo poeta pernambucano, encontram estas estrofes:

Vamos tratar da chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu.
- Quem é você, Cavalheiro -
- Moleque, sou cangaceiro -
Lampião lhe respondeu.

- Não senhor - Satanás, disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora
e já estou com vontade
de mandar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.

Moleque não, sou vigia
e não sou o seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é primeiro
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.

Excelente para ser cantada nas reuniões festivas ou nas feiras, esta modalidade é, ainda hoje, muito usada pelos cordelistas. Esta modalidade é, também, usada em vários estilos de mourão, que pode ser cantado em seis, sete, oito e dez versos de sete sílabas. Exemplos:

Cantador A
- Eu sou maior do que Deus
maior do que Deus eu sou

Cantador B
- Você diz que não se engana
mas agora se enganou

Cantador A
- Eu não estou enganado
eu sou maior no pecado
porque Deus nunca pecou.

Ou com todos os versos rimados, a exemplo das sextilhas explicadas antes:

Cantador A -
Este verso não é seu
você tomou emprestado

Cantador B -
Não reclame o verso meu
que é certo e metrificado

Cantador A -
Esse verso é de Noberto
Se fosse seu estava certo
como não é está errado.

Os oito pés de quadrão, ou simplesmente oitavas, são estrofes de oito versos de sete sílabas. A diferença dessas estrofes de cunho popular para as de linha clássica é apenas a disposição das rimas. Vejam como o primeiro e o quinto versos desta oitava de Casimiro de Abreu (1837 - 1860) são órfãos:

Como são belos os dias
Do despontar da existência
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O Céu - Um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida um hino de amor.

Na estrofe popular aparecem os primeiros três versos rimados entre si; também o quinto, o sexto e o sétimo, e finalmente o quarto com o último, não havendo, portanto um único verso órfão. Assim:

Diga Deus Onipotente
Se é você, realmente
Que autoriza, que consente
No meu sertão tanta dor
Se o povo imerso no lodo
apregoa com denodo
que seu coração é todo
De luz, de paz e de amor.

As décimas, dez versos de sete sílabas, são, desde sua criação no limiar do nosso século, as mais usadas pelos poetas de bancada e pelos repentistas. Excelentes para glosar motes, esta modalidade só perde para as sextilhas, especialmente escolhidas para narrativas de longo fôlego. Ainda assim, entre muitos exemplos, as décimas foram escolhidas por Leandro Gomes de Barros para compor o longo poema épico de cavalaria A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRAZ, baseado na obra do imperador francês Carlos Magno:



Eram doze cavalheiros
Homens muito valorosos
Destemidos, corajosos
Entre todos os Guerreiros
Como bem fosse Oliveiros
um dos pares de fiança
Que sua perseverança
Venceu todos os infiéis
Eram uns leões cruéis
Os doze pares de França.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

II Encontro Nacional do Grupo de Trabalho Teoria do Texto Poético/ANPOLL

II Encontro Nacional do
Grupo de Trabalho Teoria do Texto Poético/ANPOLL

Cartografias da poesia moderna e contemporânea

Data
13 e 14 de outubro de 2011
Local
Cidade de Goiás,
nas dependências da Unidade Cora Coralina da UEG
e do Museu Casa de Cora Coralina
Inscrições 
15 de julho a 31 de agosto de 2011
Página do GT Teoria do Texto Poético
Como ouvinte ou com apresentação de trabalho,
a participação é aberta a pesquisadores
em nível de graduação, mestrado e doutorado
Realização 
FL/UFG em parceria com UNESP/Araraquara,
UnB, UEG, PUC/GO e
Museu Casa de Cora Coralina

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Caps/HU realiza campanha para montar biblioteca para pacientes

A leitura é uma importante ferramenta de comunicação, aprendizado e criatividade. Pensando nisso, o Centro de Apoio Psicossocial (Caps) do Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está realizando a campanha do livro, uma iniciativa que visa a criação de uma biblioteca para os pacientes.
Segundo a residente de Psicologia Carla Cristina do Vale, a biblioteca seria mais uma opção para diversificar as atividades do Centro, além de proporcionar o acesso à cultura. “Aqui nós temos muitos pacientes alfabetizados, por isso, a necessidade de termos um espaço para a leitura. Futuramente, pensamos em encaixar alguma atividade de leitura na grade do Caps, mas
agora o projeto é abrir essa biblioteca para incentivar a leitura entre os pacientes. Aqui eles poderão pegar um livro e levar para casa.”
Para a realização dessa campanha o Caps conta com o apoio do Núcleo de Humanização. “Estamos oferecendo suporte ao Caps, colhendo algumas doações e divulgando a campanha aos amigos e colegas de trabalho”, ressalta a coordenadora Rejane Guingo.
As doações começaram a ser recebidas no mês passado com o apoio de amigos, estagiários do Caps, Editora UFJF, Editora Vozes e Editora Leitura. Ao todo foram recebidos 94 livros. “Todos os tipos de livros são bem-vindos, dos contos infantis ao ‘Código da Vinci’, nós temos pacientes de todos os níveis” afirma Carla. As doações podem ser feitas no Caps/HU, que fica localizado na Rua Melo Franco 11, no Bairro São Mateus.
Outras informações: (32) 4009-5393 (Assessoria do HU)
www.ufjf.br/hu
www.twitter.com/huufjf_noticia

Fonte: Disponível em [http://www.ufjf.br/dircom/2011/06/07/capshu-realiza-campanha-para-montar-biblioteca-para-pacientes/]. Acesso: 08/06/2011.

domingo, 5 de junho de 2011

A MÉTRICA DO CORDEL (PARTE 1)

A evolução da literatura de cordel no Brasil não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Os primeiros repentistas não tinham qualquer compromisso com a métrica e muito menos com o número de versos para compor as estrofes. Alguns versos alongavam-se inaceitavelmente, outros, demasiado breves. Todavia, o interlocutor respondia rimando a última palavra do seu verso com a última do parceiro, mais ou menos assim:


Repentista A - O cantor que pegá-lo de revés
Com o talento que tenho no meu braço...
Repentista B - Dou-lhe tanto que deixo num bagaço
Só de murro, de soco e ponta-pés.

A parcela ou verso de quatro sílabas é o mais curto conhecido na literatura de cordel. A própria palavra não pode ser longa do contrário ela sozinha ultrapassaria os limites da métrica e o verso sairia de pé quebrado. A literatura de cordel por ser lida e ou cantada é muito exigente com questão da métrica. Vejamos uma estrofe de versos de quatro sílabas, ou parcela.


Eu sou judeu
para o duelo
cantar martelo
queria eu
o pau bateu
subiu poeira
aqui na feira
não fica gente
queimo a semente
da bananeira.

Quando os repentistas cantavam parcela (sim, cantavam, porque esta modalidade caiu em desuso), os versos brotavam numa seqüência alucinante, cada um querendo confundir mais rapida mente o oponente. Esta modalidade é pre-galdiniana, não se conhecendo seu autor.

Já a parcela de cinco sílabas é mais recente, e não há registro de sua presença antes de Firmino Teixeira do Amaral, cunhado de Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo. A parcela de cinco sílabas era cantada também em ritmo acelerado, exigindo do repentista, grande rapidez de raciocínio. Na peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, da autoria de Firmino Teixeira do Amaral, encontramos estas estrofes:

Pretinho:
no sertão eu peguei
um cego malcriado
danei-lhe o machado
caiu, eu sangrei
o couro tirei
em regra de escala
espichei numa sala
puxei para um beco
depois dele seco
fiz dele uma mala

Cego:
Negro, és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão

Estas modalidades, entretanto, não foram as primeiras na literatura de cordel. Ao contrário, ela vieram quase um século depois das primeiras manifestações mais rudimentares que permitiram, inicialmente, as estrofes de quatro versos de sete sílabas.

O Mergulhão quando canta
Incha a veia do pescoço
Parece um cachorro velho
Quando está roendo osso.

Não tenho medo do homem
Nem do ronco que ele tem
Um besouro também ronca
Vou olhar não é ninguém

A evolução desta modalidade se deu naturalmente. Vejamos a última estrofe de quatro versos acrescida de mais dois, formando a nossa atual e definitiva sextilha:

Meu avô tinha um ditado
meu pai dizia também:
não tenho medo do homem
nem do ronco que ele tem
um besouro também ronca
vou olhar não é ninguém.

Agora, de posse da técnica de fazer sextilhas, e uma vez consagradas pelos autores, esta modalidade passou a ser a mais indicada para os longos poemas romanceados, principalmente a do exemplo acima, com o segundo, o quarto e o sexto versos rimando entre si, deixando órfãos o primeiro, terceiro e quinto versos. É a modalidade mais rica, obrigatória no início de qualquer combate poético, nas longas narrativas e nos folhetos de época. Também muito usadas nas sátiras políticas e sociais. É uma modalidade que apresenta nada menos de cinco estilos: aberto, fechado, solto, corrido e desencontrado. Vamos, pois, aos cinco exemplos:

Aberto:
Felicidade, és um sol
dourando a manhã da vida,
és como um pingo de orvalho
molhando a flor ressequida
és a esperança fagueira
da mocidade florida.

Fechado:
Da inspiração mais pura,
no mais luminoso dia,
porque cordel é cultura
nasceu nossa Academia
o céu da literatura,
a casa da poesia.

Solto:
Não sou rico nem sou pobre
não sou velho nem sou moço
não sou ouro nem sou cobre
sou feito de carne e osso
sou ligeiro como o gato
corro mais do que o vento.

Corrido:
Sou poeta repentista
Foi Deus quem me fez artista
Ninguém toma o meu fadário
O meu valor é antigo
Morrendo eu levo comigo
E ninguém faz inventário

Desencontrado:
Meu pai foi homem de bem
Honesto e trabalhador
Nunca negou um favor
Ao semelhante, também
Nunca falou de ninguém
Era um homem de valor.


A Métrica do Cordel será apresentada em três partes e o mesmo material foi retirado da ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel.