sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Escritor mineiro Luiz Ruffato vence prêmio 'Casa de las Américas' com o mais recente livro 'Domingo sem Deus'


Luiz Ruffato diz que prepara um novo livro onde abandona a temática do proletariado

Fonte: Por Mauro Morais. Acesso: http://www.tribunademinas.com.br/cultura/me-sinto-livre-para-escrever-outra-coisa-1.1225285

 Iniciada em 2005 com o romance "Mamma, son tanto felice", a pentalogia intitulada "Inferno provisório", de autoria do jornalista e escritor mineiro Luiz Ruffato chega ao fim com uma das maiores láureas da literatura feita nas Américas. O mais recente romance de Ruffato, "Domingo sem Deus", que encerra a série, ganhou, na noite da última quinta, em Havana (Cuba), o prêmio "Casa de las Américas" na categoria melhor livro brasileiro. Fundado em 1959, o prêmio é realizado pela instituição homônima, que busca promover e incentivar as artes do continente.
Produzida após o elogiado "Eles eram muitos cavalos", de 2001, que lhe rendeu os prêmios de melhor romance pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Machado de Assis pela Fundação Biblioteca Nacional, a série resulta da investigação poética do escritor sobre o proletariado brasileiro. Exercitando a linguagem fragmentária que marcou sua produção, Ruffato conclui com "Domingo sem Deus" a temática que lhe conferiu originalidade e ineditismo. "Quando decidi, em 2003, que iria escrever esses cinco volumes, eu sabia quando ia começar e quando iria parar. Não sabia delimitar o tempo, mas tinha a certeza de que terminado esse ciclo eu não queria mais trabalhar com esse tema", aponta o escritor.
Selecionado por um júri composto pelos escritores Marcelino Freire e Carola Saavedra e pela poeta, pesquisadora e produtora Suzana Vargas, "Domingo sem Deus" será traduzido para o espanhol em tiragem inicial de dez mil exemplares, consequência do prêmio que também destina US$ 3 mil ao autor. Presente na ata do júri, a justificativa afirma que a obra vencedora "apresenta diversos episódios independentes que se entrelaçam, formando o mosaico de um Brasil essencial, embora esquecido".
Natural de Cataguases e formado em Comunicação Social pela UFJF, Ruffato notabilizou-se no cenário nacional por defender a ideia do escritor como um "operário das letras", em referência direta ao universo no qual se debruçou. "Eu não escrevo para ganhar prêmios", explica, para logo concluir: "Prêmio é um acidente, é claro que é importante, mas é sempre acidental. Depende da pessoa que está lendo o seu livro naquele momento e de quem está concorrendo com você".
Apesar da identificação, tanto do público quanto da crítica especializada, de Ruffato com a temática do trabalhador, que mergulhou nesse universo até na obra "Estive em Lisboa e lembrei-me de ti" - fruto de um intercâmbio em Portugal, promovido pelo projeto editorial "Amores expressos", cujo objetivo era apresentar a literatura contemporânea nacional através de histórias de amor vividas em outras geografias -, o escritor já vislumbra outros horizontes. "Me sinto livre para escrever outra coisa", conta, atualmente ocupado com o início de uma nova obra ainda sem lançamento previsto, mas com um tema bastante diferente.
Em sua 54ª edição, o prêmio "Casa de las Américas" também contemplou outros brasileiros: Rodrigo de Souza Leão, escritor morto em 2009, recebeu menção honrosa na categoria "literatura brasileira", pela novela "Carbono pautado - memória de um auxiliar de escritório", e o mineiro Evandro Affonso Ferreira ganhou menção na mesma categoria pelo livro "O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam". O compositor e escritor Chico Buarque também se sagrou vencedor, levando o "Prêmio de narrativa José Maria Arguedas" pelo livro "Leite derramado", de 2009.

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