sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Breves reflexões sobre Literatura e Sociedade

Uma teoria literária, qualquer que seja sua perspectiva crítica, não se resume apenas a um apanhado de conceitos, pelo contrário, sua crítica se processa em consonância com a influência exercida por determinado contexto histórico e cultural. É nesse sentido que a leitura de um pensador sempre deve ser analisada em diálogo com a época e formação de quem a expõe. Por isso, é possível observarmos que às vezes temos a impressão de estar diante de uma verdadeira "dança" teórica, ou seja, temos uma impressão que parece ser em dado momento a mais pertinente para compreender uma obra, sendo que em outro momento, ou até simultaneamente, surgem leituras que parecem contrapor-se entre si. Isto se deve ao fato de que, embora um texto literário seja produzido em relação a um contexto, os discursos sobre determinado texto, vale lembrar, não são estanques entre si e podem ser retomados e reformulados ao longo de uma mesma época, identificando-se, assim, a própria complexidade em que se apresenta a leitura da obra de arte em geral. Além disso, toda a perspectiva crítica (ao menos a boa crítica) deve estar investida, na essência, de um teor opositivo e até mesmo de um caráter "subversivo", considerando-se o seu papel diante do excesso de banalidades que muitas vezes são cometidas em relação à literatura. Portanto, toda relação entre literatura e sociedade, como também entre literatura e crítica, deve levar ao debate produtivo e alertar para o fato de que, em cada época, a ciência da literatura (teoria) pode constituir um dos parâmetros conceituais para as demais disciplinas das ciências humanas. Se hoje a ciência da literatura se expandiu para outras áreas do saber, é porque a sua força reflexiva consiste em um poder transformador de nunca estar fora de moda e nem ser ultrapassada. Afinal, os conceitos desenvolvidos na leitura de um texto e da sociedade que o produziu se inscrevem tanto numa ordem histórica quanto na sua superação. Nesse sentido é que, em meio a diversas perspectivas teóricas, a boa literatura em si será sempre um demônio que nunca deve parar de perturbar as verdades estabelecidas, bem como o conforto das ideias acomodadas num lugar tantas vezes para lá do senso comum...

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